terça-feira, 3 de maio de 2016


EU QUIS ESTES VELHOS LIVROS

Eu quis estes livros velhos
que restam aqui, impávidos;
que aqui residem, combalidos;
quis tê-los, lidos ou não

e tento mantê-los vivos:
aves, naves, gaviões
colhidos e recolhidos,

abertos como bíblias nas paróquias ou 
hermeticamente fachadas (a letra morta 
da lei, verbetes de enciclopédia). 

Eu quis ser monge copista,
plagiar o plágio e a afasia,
autorizar-me, destituir-me,
renunciar-me, render odes
aos downloads, piratear
calhamaços.

Eu quis estes livros ínvios 
(mortalhas tecidas tensas) 
e quis, até mesmos quis, 
et cetara, as reticências...

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