segunda-feira, 29 de junho de 2015


EM SUPLANTANDO

Em suplantados, tudo dão:
o amor, a lua, o holerite;
uns onze contos de réis
e juras de dinamite;

convites para o infinito
e a finitude do alpiste se
em suplantados como

são (petizes sem
expertise).

sexta-feira, 19 de junho de 2015


A ASPICUELTA

Meu nome na praça: 
aspone, o comparsa de 
um outro apedeuta.

Meu nome na praça: o 
embargo econômico, o 
encômio ao sistema.

Meu nome na praça: o
ocluso hermeneuta
e o asfalto da rua
               
Aspicuelta.

quarta-feira, 17 de junho de 2015


O PIO DO OVO GORO

O ovo goro em
frigideira adjuvante
não é cordato 

com os apetites:
turva jantares, neles
se amplia, paira,
impregna 

moda um esquife.
Puro miasma de 
má ambrosia:

convoca as ânsias,
asfixias, e em vão 
emana

sua natureza
interrompida (um
ovo goro, piar 
não pia).

terça-feira, 9 de junho de 2015


O POEMA DAS CORREÇÕES 

Corrija-me se eu estiver errado,
se eu estiver blefando, se eu
estiver mentindo, se eu estiver
endereçando às paredes

minhas teorias conspiratórias;
corrija-me se faço de terceiros
bezerros de ouro, bodes
expiatórios,

corrija-me se agora falo
umas verdades que só enuncio
quando bêbado, que só
reverberam quando eu,

sombrio, ponho tudo 
a perder.

sexta-feira, 5 de junho de 2015


ANGU DE SCHOLAR

Livros errabundos na
mesa de centro. De quais
arrabaldes tais volumes
despenharam?

Em quais barafundas
fizeram-se livros? São
livros os livros que 
agora frequento?

São feitos de abortos
ou fetos ferinos? São
livros os lanhos que
abrigo em meu
                      peito?

Ilesos os sábios
que nunca renderam
louvores aos
                      livros.