domingo, 22 de dezembro de 2013


DOS MONSTROS QUE ORA TEMEMOS

Os monstros que nós criávamos
gangrenados, galos cegos; os monstros
que nós pensávamos inativos (o
prazo de validade vencia antes
de usos enviesados);

os monstros que nós queríamos
desmanchados nos aterros;

os monstros que nós amávamos
porque parte de nossos egos:

tais monstros estão acesos,
piscantes, luzes de boas festas
tramando doidos enredos;
os monstros que sopesávamos

ignorantes dos pesos, das
medidas (seus pentelhos em nossos bigodes,
seus fedelhos em nossos ovários) e outrora

doces caseiros, vendidos
de porta em porta os monstros 
que ora tememos (não porque
monstros sagrados, 

não porque monstros do lago, 
não porque ensimesmados nem 
porque monstros monstrengos).

                    ***

Tememos, da sensação de pertença, 
este sentido de pertencimento (elã e
elo como se Édipo em Laio).

sábado, 7 de dezembro de 2013


SONHO

sonho sem cara de sonho
sem áudio de sonho sem
banda larga de sonho

sem quórum para validá-lo
mas a não sonhar prefiro o
sonho


e o pesadelo de sonhá-lo