segunda-feira, 21 de junho de 2010


CAMINHO DA ROÇA


Roupas para remendos,
estoque diazepínico,
Deus proverá penicos
ao
interior pau de arara


(sentido irarás e auroras).
Capina que crie enxadas,
silêncio e vergões nas costas,
Deus proverá intestinos

à fome de haver
respostas.

domingo, 20 de junho de 2010


TRANSVALOR
E AÇÃO

Por mais
abstrusas, parcas,
as dívidas querem-se honradas,
indivíduos
plume-implumes:
galináceos, avestruzes.

Por mais musas,
narcisistas,
as dívidas querem-se cinzas,
veredictos
indomáveis:
magistrados adiposos

e em cismar finais, finar-se,
fazem juros, multiplicam as janelas
do suicida inadimplente. As
dívidas: cruz corrente? Atadura

redentora? Antes
crias cujas cifras

transvaloram-se:
valores.

sexta-feira, 18 de junho de 2010


SONETO DAS NECESSIDADES TANTAS

 

Eu preciso encilhar os motoristas,
eu preciso cuspir nos cobradores,
eu preciso mijar nos professores,
de inglês, de francês entre outras 
línguas

mas a vida não é um mictório
e com pedras nos rins ninguém irriga
e é preciso enfezar-se como um signo
que dá à luz seus clarões: polissemia.
 

Eu preciso esventrar filosofias
e calar neste hálito de pinga
desabafos que o bafo não 
esconde.

Eu preciso entornar Hegel and Kant,
de lambujem gestar as utopias
dos que cospem na cara e ainda 
mijam.
 

sexta-feira, 4 de junho de 2010


SONETO POBRE E LIMPO

 

Eu sonho o infeliz sonho distorcido,
que todos são torcidos, desbotados,
isentos de alvoradas: desencantos
privados, recalcados; sonho o tido
 

e confiscado antes de gozado.
Eu sonho o troco, o trago, o combustível
que não me acabe em hora indesejável,
ter crédito e poder comprar fiado
 

o maço de cigarro ruim, sem filtro.
Eu sonho o nome limpo nos mercados,
trocar de fama: pobre e nunca biltre,
 

quadrar na licitude os meus pecados
condicionados por um livre arbítrio
modesto como um deus desnaturado.

terça-feira, 1 de junho de 2010


FEDRO OUTRORA



Fedro outrem.
Fedro outrora.


Ser corpo entre Fedro e Andrômeda.


Ser ente.
Ser forma


no ventre (prosaísmo)
que aprimora.