terça-feira, 28 de julho de 2009


VARIAÇÕES SOBRE A PEÇA MÍNIMA

1.

Eu vi a calcinha envelhecer
(com ela meu tesão moçoilo)
em seu corpo sempre fora dos
padrões

mas sempre novo.


2.

A novidade era arrancá-la
(toda ela uma peça anexa) com
a mordedura prenhe de

arroubos.


3.

Eu vi a calcinha envelhecer
(cabaço, renda, acessório)
no réveillon do
seu ânimo:

imo que retiro e
ponho,

pano que te
quero pomo.



segunda-feira, 20 de julho de 2009

Espetáculo de definição que esse meu dicionário (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Editora Rideel) dá ao vocábulo andor: “padiola portátil e ornamentada para a condução de imagens nas procissões”. Venho pensando na importância dos andores (paródias de padiolas), sempre sustentados por celebérrimos anônimos, destes que não devem faltar nas ocasiões sagradas e profanas determinadas pelos nossos calendários.

Milhares de padiolas (traços horizontais de surreais frações) em eventos carnavalescos e religiosos, em festas da carne e cultos de adoração. E gente que nem se importa com o barro como imagem (representação santa e/ou e adoração problematizada), natureza que dá asas ao ditado que todos conhecemos, ditado que por sua vez fornece os freios necessários aos carros de boi, aos abre-alas, às patas, à viatura equipada do corpo de bombeiros e, principalmente, aos pés desta gente que se identifica com a terra.

Não fosse minha intolerância e meu horror à luz (fotofobia, como reza o Rideel) e eu seria mais um dentre milhares de carregadores. Afinal de contas, que emoção supera a emoção de ter na cacunda a matéria orgânica que também nos habilita a requerer declaração de beatitude?

Esse seria o meu maior desejo: ser mais um, ser obra e obreiro, obrar suor e sangue para dispor de registro ou estigma que confirme minha boa vontade, eu perdido em uma multidão de carregadores que atuam, de atores que carregam, eu partidário de uma coletividade que se junta, que se requisita, que louva e prova o louvor na marra, que profana e profetiza no mesmo trava-língua, no mesmo fraseado, que sustenta no ombro o peso de uma gratidão, de uma querência, de uma fé. Eu, conduzido pela minha indigência.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009


1958 - 2009

Passos sem nomes
dentro do sótão. Guardo
seus passos (quem dera
anônimos), seu
sapateado
(quem dera informe)

em meus solares
(comuns lugares),
fúnebre vórtice.
2009

sábado, 4 de julho de 2009

SUBPRIME

Pense no amor
como uma Unidade Real
de Valor.

Assim você descobre
que tudo tem um preço

anterior a um princípio.
Assim você calcula

quanto é que custa
seu precipício.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

U

O espaço que sobra
nestas bodas de urânio
é o espaço cigano,
fixidez do que é ficto.

Entrementes seu lixo,
seu factual resíduo
é a palavra “esperdício”

proferida em
esperanto.