domingo, 14 de junho de 2009


COMPLEXO DE ASCLÉPIO


Sentarei comigo
e decidirei se devo, se nego ou
se pago com a vida. Mas
enquanto decido

vou levando no rabo,
parcelando com a cabeça de cima,
protelando com a cabeça de baixo
(cabisbaixa, diga-se)

mas enquanto me humilho
vou devendo mundos e fundilhos
para credores e leitores fictícios.

quinta-feira, 11 de junho de 2009


SOUZA CRUZ


Fumaça doce.
O lábaro que ostentas é fumaça
e pombos eletrocutados (mansos)
e câmaras de gás e pajelanças

de um povo acomodado
entre as ferragens.

segunda-feira, 8 de junho de 2009


MINUTOS MAROTOS



Talvez um pouco
de infância nos ossos
não faria tão mal


aos minutos preciosos
que perco marcando
as horas marcianas


em um relógio de
algarismos romanos.

terça-feira, 2 de junho de 2009


EQUINAS (1)


Dirigir coriscos, alazões,
garanhões submarinos,
entregar-me à ferradura
dos cometas!

Fazer da vida uma estrebaria,
uma montaria, um planeta!

PARA BARILOCHE


Para Bariloche
com todas as despesas esculpidas,
com todos os exus
em minha alma

caipira! Com todas as
carências esquecidas.

Para Bariloche,
Mazzaropi... ainda!

CHURRUMINO


Morrer de noitinha
caçando churruminos,
chamando urubu
de meu gringo...

As patas cobertas,
o corpo repleto de mundos
e corruptelas.

SURUBA

Plumas e pentelhos
nesta anatomia sem pejo,

orgia de ingênuos
algarismos, a pressa

é o inimigo mais fulo
e dentro dela se ornam
de léguas

nossos coturnos.

TEMA


Ora pistas, ora tabuleiros, ora
caravanas pelas avenidas dos
meus pelos.

Temas como nesga
de asfalto, de tábula, fios de
sentido como se piolhos,
talvez o marulho

de chaves em molho.