sábado, 30 de maio de 2009

A ALÇA MALSÃ

Cada estímulo, cada
motivação será um prego
martelado e uma alça
assaz segura.

Sua última sinecura
será ocupar-se dessa alça
que é sua.

domingo, 17 de maio de 2009

A MENSAGEM COMO
E POR ACIDENTE

Sou um sonestista de carreira; um
poeta da intenção. Não sou melhor
que o barulho de um carro de boi ou
a reprodução deste barulho pela voz

humana mas escrevo
odisseias rasteiras boas-
novas mecânicas mas

grafito o livro imprimo o muro
alfabetizo a lama. E quando
atravesso fronteiras ocultas
ou declaradas fronteiras

(quando muda o panorama),
tudo o que posso requerer é
um atestado de filosofice, do
amor um poema sensato e
da fumança (onde haja)

um fogo-fátuo delivery.

2005

quinta-feira, 14 de maio de 2009


POESIA

Vi um carro sem rodas no desmanche,
vi toneladas de ferro retorcido, homens
de aço estatelarem contrafeitos.

Vi ratazanas entre latas de alumínio
e infinidades de juízes, e juízos

sobre os monarcas
da Sucata
e seus súbditos.

domingo, 10 de maio de 2009

Almas com Fome e Mingau das Almas (Edições Costelas Felinas) chegaram em boa hora. Cláudia Brino e Vieira Vivo são destas almas que não assustam, já que ajustadas ao corpo do Poema que me chega pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

Seus livros são publicações marcadas pelo préstimo, pelo desejo de fazer bem feito, pelo zelo, pela perfeição digna dos melhores adjetivos. Não é favor dizer que tudo o que lhes sobra nos falta e nos aviva.

Em ambos é notório o desejo de abarcar os mundos possíveis. Vieira Vivo, que divide o Mingau das Almas em dezessete temas, sintetiza seus caminhos no soneto Labirinto (p. 50), pois que os “muitos”, os “outros” e os “uns” que ali “caminham”, “andam” e “se movem” são fragmentos de um mesmo ser se cindido, se perdido, se em cacos como nós, pobres contemporâneos.

Cláudia Brino, que não se dá ao trabalho de intitular seus poemas, nem por isso se esquiva das realidades criadas e corrompidas pelos nossos toques e nossas ânsias: “Escrevi a história de minhas digitais / no seu sexo / e não houve nenhum gozo” (p. 24). Nesta simbiose (Brino - Poesia -Vieira) deposito as minhas fichas e faço minhas apostas.
http://www.cabecaativa.jex.com.br/

terça-feira, 5 de maio de 2009

ESPASMO

Sorrisos na
boca do estômago
como o nudismo
na praia da Prosa

ou barricada de
dentes furtados

das bocas
inglórias.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

NÃO TEMEREI MAL ALGUM

Vou para municiar-me:
armas, cadáveres tensos,
sangue nos mínimos gestos.

Fome de fins e de meios
quando o apetite rasteiro
abandonar-me no prélio.


Vou! porque a vida é folguedo,
dia de um santo ou indício
de escatológico evento.

Pai: ilumina-me os vetos
mas liberai os venéreos
sonhos de casa e cabresto.