sábado, 29 de novembro de 2008

TRANSFERÊNCIA

Todos iguais em tudo. A
pele ainda exala o vício
real, moral, fictício. Pardos,
as almas francas

e os algarismos maçantes do
quanto se perde enquanto
os sóbrios do mundo ganham.


Tudo
é igual em todos
e um terapeuta advoga
como se em causa
própria,

nem sei se própria ou só
ganha. “A cura é uma utopia,
você, uma salamandra

que adora psicodramas
inócuos e iguais ao seu. Eu sei,

você se fodeu, e é fácil ganhar
o meu, mas isso te não direi.

Descubra você e sua grei
de zumbis e mortos-vivos,

decifra-me: sou seu litro ou
mais um gole de gim?"

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SOLTEIRO, 26

Quilômetros de alcoolismo.
Fome de conas e conúbios.
Quem para apertar minhas bolas

e, rosnando, ordenar:
"assovia!"?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

CARISMA

Não sou dous.
Não estou em dous lugares
ao mesmo temponem estou ao mesmo tempo
em dous lugares.

Mamãe, quando é sermão,
fala-nos do milagre que é a

bilocação (a ubiqüidade
de Frei Galvão) com um

sorriso que
desloca-se da testa

à canonização.

sábado, 22 de novembro de 2008

NOITE DE AUTÓGRAFO

Não são noites de autógrafos.
São madrugadas infinitas
onde evoluo do ábaco primitivo
à calculadora científica.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

EMPÍRICAS 2008

Um protoleitor
lia "Os anormais", 
de Michel Foucault


na cela de um

manicômio.