sábado, 26 de julho de 2008

POEIRA E CAEIRO

Como e por que
vitimizar-me-ia?
Prefiro o entregar-me
à afasia

e fenecer sem
faniquitos.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A VIDA É SÚBITA

O último suspiro, mas
desconverso e ainda minto:
"tudo bem". Nada singulariza

uma dor, e

não há óbices para
o atestado de óbito. A
vida é súbita...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

NUNCA AMEI A LUA

Nunca amei a lua.
Preamar de lágrimas
onde, refletida, ela
arredondasse sem
alma ou fim.

Onde, sem ponto fixo,
ela ignorasse os santos
e os dragões que nela
carpissem.

Nunca amei metades.
Nunca fui metade. Não
me locupletei exaltando
luares.

E assim caminhei:
caranguejo adestrando

areias, cão farejando
tripas, crente louvando
ogivas...

Nunca amei a lua.
Nunca, nenhuma.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

NOME

Que nome
para estes meandros

canyons e escaninhos
onde a cobra fuma

onde a língua medra
e a memória é curta?
O CONTEXTO DO GOZO

No contexto do gozo
sou um animal raivoso.

Troco as plumas,
troco os pomos, a

samba-canção, infrutífera,
veste um bípede adiposo.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

ERA

Templo
de perdas & ganhos...

Templo
de pernas abertas...

O mundo gira...

A pomba rodopia...

Era!

domingo, 6 de julho de 2008

VOCÊ VAI

você vai
mas você fica
como soma
como cinzas

você vai
mas você cerca
como os astros
e as arestas

você vai
mas você gera
o que virá
o que já era

o que retarda
o que transcende
o que apaga
o que ascende

mas você vai
infelizmente
BEIJO

Tristeza que pinga
ou gota minguando
em pleno alvoroço
de beijo ungido

na ânsia do gozo
utópico, atípico.
PÁRIA

O empata-foda
(zero a zero n´alma)
mergulha no chope
e não retorna até
encontrar o que
dizer.

Mergulha no pingado
ou faz-se recipiente
de um incoercível gole
de cafe com leite.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

TENHO UMA BIBLIOTECA

Tenho uma biblioteca
combalida pela época
e a rigidez cadavérica
das máquinas de
escrever.